sexta-feira, 3 de julho de 2009

Cada dia morro mais um pouco

a cada hora que passa, mais me distancio da realidade

desfeito em pedaços

colo apenas os suficientes para continuar

preso por retalhos

e feito em detalhes

continuo a corrida com mais um trago.

Prometo-te que estou bem,

e em cada vago sorriso e acender de cigarro

cruzo o meu fim num piscar de olhos.

Rastejo pelos corpos depositados e detritos enjeitados

que populam a minha mente

grito mas ninguém me ouve,

ninguém me pode ouvir

ninguém me pode sentir.

Só eu sei do fim

só eu sei para onde isto vai

só eu conto aqui.

Com asas nos olhos

pouso longe

bem longe de ti.

sou o que sou.

não me podem ter

não me podem catalogar..

Usem-me e livrem-se de mim

como eu faço com todos vós.

De alma feita em fanicos

iludo a maré

e aludo à maralha sem perder pitada do caminho da destruição.

Amanha é um novo dia e nem sequer desconfio que ele vem a caminho com passadas largas.

Vejo a rota mas perco-me em cada traço contínuo

sem saber para onde me levarão a seguir.

Tudo o resto são cantigas e intrigas

tudo o resto são mentiras e alegrias

todas juntas não fazem uma.

Nú na escuridão

vestido na claridade

despido na realidade

iludido na fantasia

junto sal e limão

e bebo como se não houvesse amanhã.

Faço hoje 2000 anos que cá estou

a açoitar o diabo com penas de anjo.

Resvalo na loucura do ser

e arremesso barcos à deriva na mente mais que perfeita em correntes de ouro e velas de fé.

sobra-me tempo para matar com uma colher romba

arranco o coração e espero que ele deixe de bater.

só para matar o tempo.

só para parar de me ouvir.

Sonho em sonhar comigo

só para me poder ver,

uma vez que tenho os olhos longe de mim

e o meu ser anda ao castigo.

Verto gotas de sangue alheio para cima de mim

e danço na chuva ácida que se apresta a cair sobre o fim.

Só para me ouvir dizer não

tenho de viver mais do que mil sims

e sobretudo , nunca visto sobretudo quando tenho almas para tirar.

Dobro as esquinas com a força de um deus

e calcorreio os passeios em busca de nada sem ser de sentir o chão a passar sobre mim.

Adivinhem quem sou eu?

Já acertaram?

Sou o que sou

igual a todos vós

e diferente em todas as frentes

fazendo frente a um mar de gente

só para ser mais igual que o identico

e mais semelhante que o meu próprio semelhante diluído em notas falsas de monopólio

e falinhas mansas de playboy.

Sem coração

Sem pesar

tiraste-me tudo isso com uma bala de canhão

deixando-me prostrado no campo de batalha.

Mais um dia e desapareço

mais uma noite e eu esqueço

mais uma hora e eu arrefeço..

mais nada do que diga me lava as feridas

que jamais esqueço

porque todo este sangue derramado faz parte de mim

e por muito que não queira

cada dia morro mais um pouco

e não corro para lado nenhum.

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