Cada dia morro mais um pouco
a cada hora que passa, mais me distancio da realidade
desfeito em pedaços
colo apenas os suficientes para continuar
preso por retalhos
e feito em detalhes
continuo a corrida com mais um trago.
Prometo-te que estou bem,
e em cada vago sorriso e acender de cigarro
cruzo o meu fim num piscar de olhos.
Rastejo pelos corpos depositados e detritos enjeitados
que populam a minha mente
grito mas ninguém me ouve,
ninguém me pode ouvir
ninguém me pode sentir.
Só eu sei do fim
só eu sei para onde isto vai
só eu conto aqui.
Com asas nos olhos
pouso longe
bem longe de ti.
sou o que sou.
não me podem ter
não me podem catalogar..
Usem-me e livrem-se de mim
como eu faço com todos vós.
De alma feita em fanicos
iludo a maré
e aludo à maralha sem perder pitada do caminho da destruição.
Amanha é um novo dia e nem sequer desconfio que ele vem a caminho com passadas largas.
Vejo a rota mas perco-me em cada traço contínuo
sem saber para onde me levarão a seguir.
Tudo o resto são cantigas e intrigas
tudo o resto são mentiras e alegrias
todas juntas não fazem uma.
Nú na escuridão
vestido na claridade
despido na realidade
iludido na fantasia
junto sal e limão
e bebo como se não houvesse amanhã.
Faço hoje 2000 anos que cá estou
a açoitar o diabo com penas de anjo.
Resvalo na loucura do ser
e arremesso barcos à deriva na mente mais que perfeita em correntes de ouro e velas de fé.
sobra-me tempo para matar com uma colher romba
arranco o coração e espero que ele deixe de bater.
só para matar o tempo.
só para parar de me ouvir.
Sonho em sonhar comigo
só para me poder ver,
uma vez que tenho os olhos longe de mim
e o meu ser anda ao castigo.
Verto gotas de sangue alheio para cima de mim
e danço na chuva ácida que se apresta a cair sobre o fim.
Só para me ouvir dizer não
tenho de viver mais do que mil sims
e sobretudo , nunca visto sobretudo quando tenho almas para tirar.
Dobro as esquinas com a força de um deus
e calcorreio os passeios em busca de nada sem ser de sentir o chão a passar sobre mim.
Adivinhem quem sou eu?
Já acertaram?
Sou o que sou
igual a todos vós
e diferente em todas as frentes
fazendo frente a um mar de gente
só para ser mais igual que o identico
e mais semelhante que o meu próprio semelhante diluído em notas falsas de monopólio
e falinhas mansas de playboy.
Sem coração
Sem pesar
tiraste-me tudo isso com uma bala de canhão
deixando-me prostrado no campo de batalha.
Mais um dia e desapareço
mais uma noite e eu esqueço
mais uma hora e eu arrefeço..
mais nada do que diga me lava as feridas
que jamais esqueço
porque todo este sangue derramado faz parte de mim
e por muito que não queira
cada dia morro mais um pouco
e não corro para lado nenhum.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
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