terça-feira, 19 de maio de 2009

tudo passa

Não há tristeza que sempre dure..

Um facto assente.

Nada dura para sempre.

Uma verdade presente.

O amanhã está aí.

Cada dia melhor

cada dia mais forte

cada dia mais crente no que há-de vir.

O sol espreita por entre as frechas desavindas

Tudo sempre tem um fim.

Quero isso?

Por agora quero apenas sobreviver à tempestade.

Viver só. Orgulhosamente só. Está quase aí.

Terei a minha poesia.

Terei a minha guitarra.

Terei um mundo infindável de opções sem mácula.

Terei o perigo à espreita.

Terei tudo o que quero.

Por agora quero apenas manter-me à superfície.

Tenho tempo para viver

Para sarar as minhas feridas

para limpar o sangue seco e limpar os fragmentos dispersos do meu interior.

Depois..

o que será será..

Haverão dias melhores e piores

lenta mas seguramente,

irei erguer-me das cinzas pelo meu próprio pé.

Não volto ao lugar onde ardi de paixão

porque já nada tenho para queimar.

O silêncio já pouco assusta nas noites longas que percorro as minhas memórias.

Irei ser o que conseguir ser.

Still standing

still strong

still here.

Por muito que os ares da noite ainda me arrefeçam o espaço outrora ocupado

Sinto-me prestes a eclodir

A renascer.

Para ser imperdoável.

Para ser indestrutível.

Para ficar irreconhecível.

Não preciso mais de sofrer.

Chega.

Nego.

Já me entreguei com força demais àquilo que estava perdido.

Já vivi em demasia o que não podia ter.

Embrulho o meu coração e chuto-o para longe

Acabou.

Não serei mais meu inimigo.

Ainda não oiço os violinos

ainda não quero os sorrisos..

Mas estou quase lá

com um pouco mais de asa serei novamente uno comigo.

Farei as pazes

Em mim deixarei de ser desavindo..

Sei que ainda carrego parte do passado,

mas com o tempo será apenas uma névoa imagem e não mais ficarei dormente.

Aqui digo..

Nunca mais.

Sei o que estou a dizer,

não preciso de ter o meu coração num pedestal para ser feliz

não preciso de me dar para ser.

Serei eu.

Não mais sombra.

Até ao fim dos meus dias.

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