Entre este mundo e outro vão dois passos de distância
no entanto está tudo tão longe que já mal consigo olhar para trás.
As memórias vão-se apagando
dando lugar a outras,
melhores, piores, diferentes, recentes.
Entre este mundo e outro vão apenas dois dedos de conversa
e uma furtiva lágrima
entre o antes e o agora
passaram-se dias que valerão anos daqui a uns tempos.
Ergui um muro instrasponível
de punho cerrado movi a ponta do arco íris para um solitário horizonte
porque a felicidade encobre males que por vezes não têm solução.
Daqui ao amanhã já faltou mais
e é desse que há-de vir que construo a minha casa
pedra sobre pedra
inderrubável agora. Para o bem e para o mal.
Sou um castelo mais alto agora.
Indecifrável.
Irreconhecível.
Só os meus olhos gritam agora a tristeza que outrora padeci.
Só neles ficou tatuado um pouco mais de vida que me escoou pelos dedos, qual areia fina dum distante deserto.
Estou entre um estado e outro, pendurado sobre arames, sem rede, sem nexo e sem saber o que virá depois.
Melhor é impossível. Ou se calhar não. O tempo ficará encarregue de o dizer.
Sou um crente fiel no encadeamento de acontecimentos que tece o destino.
Amanhã é um novo dia e já está a dois passos de distância.
terça-feira, 5 de maio de 2009
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