terça-feira, 5 de maio de 2009

entre este mundo e o outro

Entre este mundo e outro vão dois passos de distância

no entanto está tudo tão longe que já mal consigo olhar para trás.

As memórias vão-se apagando

dando lugar a outras,

melhores, piores, diferentes, recentes.

Entre este mundo e outro vão apenas dois dedos de conversa

e uma furtiva lágrima

entre o antes e o agora

passaram-se dias que valerão anos daqui a uns tempos.

Ergui um muro instrasponível

de punho cerrado movi a ponta do arco íris para um solitário horizonte

porque a felicidade encobre males que por vezes não têm solução.

Daqui ao amanhã já faltou mais

e é desse que há-de vir que construo a minha casa

pedra sobre pedra

inderrubável agora. Para o bem e para o mal.

Sou um castelo mais alto agora.

Indecifrável.

Irreconhecível.

Só os meus olhos gritam agora a tristeza que outrora padeci.

Só neles ficou tatuado um pouco mais de vida que me escoou pelos dedos, qual areia fina dum distante deserto.

Estou entre um estado e outro, pendurado sobre arames, sem rede, sem nexo e sem saber o que virá depois.

Melhor é impossível. Ou se calhar não. O tempo ficará encarregue de o dizer.

Sou um crente fiel no encadeamento de acontecimentos que tece o destino.

Amanhã é um novo dia e já está a dois passos de distância.

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