Mais uma sexta feira e eu sem muito para dizer
venho aqui para existir, até porque sem as minhas pequenas palavras sinto que não sou nada.
Sou um ouvinte
um observador
um "not so innocent by-stander".
Nada faço senão ver as horas passar,
e às vezes é mais dificil não intervir,
mas o destino tem o seu fiel companheiro capricho do seu lado
e eu só estou aqui para relatar o que vai decorrendo.
Sou todo ouvidos..
E nada emoção.
Sou todo olhos
e nada falo..
Despedaço-me por dentro em mil bocados , varro a um canto e colo tudo no mesmo sítio.
Oiço tudo o que têm para me dizer
e nada digo
senão um concerteza igual ao de ontem.
Ando mais a pé do que pensava
só para não ter de ficar parado
apesar de achar que é mais fácil ficar do que ir...
Estou absolutamente dividido..
Entre o ser mais que possa ser
ou continuar a ser o que sou..
"they say time will make all this go away
but it's time that is taking my tomorrows
and turning them to yesterdays.."
Tenho de pensar que o pôr do sol traz sempre um novo nascer do dia na manhã seguinte
tenho de manter o espírito levantado,
tenho de ser forte,
tenho de manter vivo o meu espírito,
mas às vezes...
só às vezes,
apetece-me ficar apenas no meu canto e desligar o mundo e a mente e o demais.
Nem a guitarra fala comigo
Há dias em que admito..
a solidão ataca.
Leva o melhor de mim.
Fico oco em modo de recolha de imagens , qual vampiro de emoções.
Aí sou sangue suga da força vital,
dardejo num sorriso
e renasço numa furtiva lágrima..
Temos uma tendência para complicar o que é simples
e simplificar o que devíamos ponderar..
Numa tarde muda-se uma vida
Numa manhã renasce-se...
Numa noite tudo acaba.
No dia seguinte estamos isentos..até à próxima ronda.
E sonha-se..
sonha-se em demasia em vez de nos agarrarmos com unhas e dentes ao que temos..
seres automáticos
que não procuram mais que o umbigo...
seres erráticos
que desdenham a sorte com um despreocupado sorriso..
Cultiva-se o mantra do passado..
Antes é que era...
Antes era fantástico
esquecemo-nos rapidamente dos momentos em nada víamos à frente
em que as rosas tinham mais espinhos que pétalas
e as notas soltas das canções não tocavam para nós.
Mas o que conta é mesmo o agora.
Contamos nós,
balas soltas de um revólver
aconchegadas na câmara a aguardar a nossa vez.
Após o disparo não há regresso.
Ficam as lembranças da chama.
Eu já fingi ser muito melhor
e já aprendi a ser muito pior.
Só de viver.
Só de amar.
Só de sofrer.
Só de ter sido disparado..
O choro da noite serena-me os ânimos com o seu manto húmido
de nada padeço
senão da enferma condição que é estar vivo e não saber como nem porquê..
sexta-feira, 3 de abril de 2009
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1 comentário:
Feliz de quem não sente.... Quem sente sofre ainda mais ... Felizes os que se apegam ao desapego
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