sexta-feira, 3 de abril de 2009

e mais uma sexta feira

Mais uma sexta feira e eu sem muito para dizer

venho aqui para existir, até porque sem as minhas pequenas palavras sinto que não sou nada.

Sou um ouvinte

um observador

um "not so innocent by-stander".

Nada faço senão ver as horas passar,

e às vezes é mais dificil não intervir,

mas o destino tem o seu fiel companheiro capricho do seu lado

e eu só estou aqui para relatar o que vai decorrendo.

Sou todo ouvidos..

E nada emoção.

Sou todo olhos

e nada falo..

Despedaço-me por dentro em mil bocados , varro a um canto e colo tudo no mesmo sítio.

Oiço tudo o que têm para me dizer

e nada digo

senão um concerteza igual ao de ontem.

Ando mais a pé do que pensava

só para não ter de ficar parado

apesar de achar que é mais fácil ficar do que ir...

Estou absolutamente dividido..

Entre o ser mais que possa ser

ou continuar a ser o que sou..

"they say time will make all this go away

but it's time that is taking my tomorrows

and turning them to yesterdays.."

Tenho de pensar que o pôr do sol traz sempre um novo nascer do dia na manhã seguinte

tenho de manter o espírito levantado,

tenho de ser forte,

tenho de manter vivo o meu espírito,

mas às vezes...

só às vezes,

apetece-me ficar apenas no meu canto e desligar o mundo e a mente e o demais.

Nem a guitarra fala comigo

Há dias em que admito..

a solidão ataca.

Leva o melhor de mim.

Fico oco em modo de recolha de imagens , qual vampiro de emoções.

Aí sou sangue suga da força vital,

dardejo num sorriso

e renasço numa furtiva lágrima..

Temos uma tendência para complicar o que é simples

e simplificar o que devíamos ponderar..

Numa tarde muda-se uma vida

Numa manhã renasce-se...

Numa noite tudo acaba.

No dia seguinte estamos isentos..até à próxima ronda.

E sonha-se..

sonha-se em demasia em vez de nos agarrarmos com unhas e dentes ao que temos..

seres automáticos

que não procuram mais que o umbigo...

seres erráticos

que desdenham a sorte com um despreocupado sorriso..

Cultiva-se o mantra do passado..

Antes é que era...

Antes era fantástico

esquecemo-nos rapidamente dos momentos em nada víamos à frente

em que as rosas tinham mais espinhos que pétalas

e as notas soltas das canções não tocavam para nós.

Mas o que conta é mesmo o agora.

Contamos nós,

balas soltas de um revólver

aconchegadas na câmara a aguardar a nossa vez.

Após o disparo não há regresso.

Ficam as lembranças da chama.

Eu já fingi ser muito melhor

e já aprendi a ser muito pior.

Só de viver.

Só de amar.

Só de sofrer.

Só de ter sido disparado..

O choro da noite serena-me os ânimos com o seu manto húmido

de nada padeço

senão da enferma condição que é estar vivo e não saber como nem porquê..

1 comentário:

Anónimo disse...

Feliz de quem não sente.... Quem sente sofre ainda mais ... Felizes os que se apegam ao desapego