segunda-feira, 30 de março de 2009

clarividência..

É o que faz falta...clarividência.

Não consigo ver um palmo à frente do nariz.

Não consigo dizer...vai correr tudo bem.

Nao faço a mínima ideia, já não confio no meu coração.

Faz-me falta clarividência

para ver mais que isto...

para conseguir escrever mais que esta linha..

Não acredito em finais felizes,

mas a história ainda vai no princípio..

Sinto-me como se estivesse num carro sem travões

desgovernado, mas em velocidade cruzeiro,

como se soubesse que não há nada que possa fazer senão apreciar a viagem e o consequente despiste.......

Bem sei que só agora começei

mas gostava de vislumbrar nem que fosse uma faísca

uma luz tremeluzente ao fundo do túnel

"i wish i could feel like home but all i feel is alone"

um pouco de clarividência recomenda-se

precisa-se como de pão para a boca de um mendingo.

por agora contentava-me por um esgar feliz do destino

um desenlaçe que me faça sorrir e pensar

valeu a pena até aqui.

Não me derrubam...

Outra parte responde-me ..

não precisas de ver ..

precisas de acreditar.

mas passei tanto tempo a acreditar que agora já nada tenho senão isto..

a mágoa faz-me tropeçar

e apaga as luzes todas da rua onde vivia.

Já não sei ir para casa

porque já não tenho para onde ir.

Nem sequer já me sinto

porque deixei de ter razão para o fazer.

e vagueio...

à procura do mundo

à procura de luta

à procura de nada , senão de me encontrar. prostrado numa valeta, à espera de ressuscitar.

Porque às vezes é preciso ir até ao fundo do lodo para ressurgir, límpido, esguio e poderoso como uma bala de prata.

Mas e se não for assim?

Daí que rogo por clarividência

que me tirem a areia da boca

e me arranquem do deserto onde estou.

Sem dramas

sem fugas para a frente

aceito as dificuldades

mas quero a outra face também.

A minha altura tem de chegar,

mas não consigo vislumbrar mais que um palmo à frente do nariz.

Lembro-me que em míudo não me custava sorrir.

Lembro-me de ter sido feliz.

Lembro-me de ter medo e pensar, isto é bom demais para ser real.

Acertei.

Fui clarividente.

Uma vez.

Está na altura de voltar a sê-lo.

Para abrir as asas e encontrar um ninho ao meu alcance

onde deposite o bom o mau e o vilão, para renascer uno, novamente.

Renascer..é preciso, sobretudo o vilão.

Porque dos fracos não reza a história e a minha ainda vai no ínicio.

Clarividência é preciso, mais do que um final feliz.

Sem comentários: