Preferia que não doesse.
preferia não sentir.
se pudesse trocava contigo.
Para que soubesses tudo e sentisses a dobrar.
A minha pele fria já não aquece
preferia que fosse a tua.
Gostava que sentisses os meus cortes
e os meus amoques,
que soubesses do sal das minhas lágrimas
e que as chorasses todas por mim de uma vez.
Gostaria que te deitasses a pensar nisso e acordasses na mesma,
pelo menos uma só vez,
gostaria de te ver caminhar às escuras como eu...
Mas mais que isso,
gostava que abrisses os olhos e percebesses tudo ... tudo o que eu te dei
e que não vais ter.
Tudo o que foi e que não mais será.
Parece uma margem irreal,
sombreado de um sonho mau,
que me acizenta a alma,
enquanto tudo o que queria era imergir na rubra côr da paixão.
Escrevi o meu nome, só na parede,
já sem ti,
nú, olhei-me...
despi o meu coração que ainda batia e esquartejei-o .
Uma parte para ti
Outra para o lixo
outra desperdiçada
outra acabada..
Nada sobrou...
Sou só mais um ser de vento,
que podem ter numa noite mágica
mas não mais podem possuir.
Passo a publicidade claro..
E estou tao perto de estar tão longe daquilo que eu era....que sufoco mais um dia de sol em mim.
Fecho as janelas todas
para não mais entrar um raio de luz..
Para estar na sombra
vou ser a sombra.
Um verdadeiro filho da noite, escorraçado da claridade..
Nunca soube dançar ao ritmo que me pediram,
porque demorei tempo demais a perceber que era a música e não a dança.
A verdade é mais feia do que a plástica mentira.
Eu estou aqui,
deste lado da barricada, porque sei disso mesmo, porque tenho nomes tatuados na pele,
porque tenho olhos carregados de traição em mim
porque tenho demasiados corpos nús trancados no sótão
e carrego com muitas promessas por cumprir às costas..
E eu...que tinha tanto para mostrar
mostrarei tudo o resto à madrugada.
Escrevi-me uma carta só para me dizer que não estou mais sozinho.
Tenho-me, sou todo eu em volta de mim.
Banhado pela noite
Escrevo o meu nome na parede e leio ao longe o que diz:
Sufoco...
terça-feira, 31 de março de 2009
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