terça-feira, 21 de outubro de 2008

TV

Não há soluções fáceis quando mergulhamos na sombra

vi um televisor hoje esparramado na calçada

com as entranhas metálicas espalhadas

sem pejo nem piedade...

esquartejado que estava sem uso

e no entanto nunca o achei tão belo..

O que me faz pensar...

talvez hajam coisas que façam mais sentido despedaças do que unas.

Ou se calhar há coisas que apenas brilham no momento final..

Enfim... ilacções de um dia banal

Será que sofreu?

será que lhe doeu?

Ou foi brutalmente rápido

nem sequer pestanejando

quando teve os restos esquaqueirados

esmigalhados com frieza calculado de quem matar..

Foi o fim da programação

a mira técnica desfeita em lágrimas de mercúrio..

e o lento cerrar do vermelho olho

foi o mais doloroso desligar da sua existência

foi tudo o que podia ser

já nada poderia almejar

para além do que lhe confinaram a provar..

ocupando por fim o espaço para aquilo que lhe deixavam ter..

um pedaço desfeito de algo

um caixa de destroços espalhada pelo chão

..não há nova vida para estes pedaços

já não vejo mais televisão.!

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