Não há soluções fáceis quando mergulhamos na sombra
vi um televisor hoje esparramado na calçada
com as entranhas metálicas espalhadas
sem pejo nem piedade...
esquartejado que estava sem uso
e no entanto nunca o achei tão belo..
O que me faz pensar...
talvez hajam coisas que façam mais sentido despedaças do que unas.
Ou se calhar há coisas que apenas brilham no momento final..
Enfim... ilacções de um dia banal
Será que sofreu?
será que lhe doeu?
Ou foi brutalmente rápido
nem sequer pestanejando
quando teve os restos esquaqueirados
esmigalhados com frieza calculado de quem matar..
Foi o fim da programação
a mira técnica desfeita em lágrimas de mercúrio..
e o lento cerrar do vermelho olho
foi o mais doloroso desligar da sua existência
foi tudo o que podia ser
já nada poderia almejar
para além do que lhe confinaram a provar..
ocupando por fim o espaço para aquilo que lhe deixavam ter..
um pedaço desfeito de algo
um caixa de destroços espalhada pelo chão
..não há nova vida para estes pedaços
já não vejo mais televisão.!
terça-feira, 21 de outubro de 2008
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