quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Поэт

Porque é que não consigo deixar de sentir este peso no peito

como uma bola de ferro que me esmaga de encontro à fria realidade...

Porque é que a salvação não chega mascarada de sorriso

porque é a alegria não me inunda os poros

porque é que eu que me sinto a perder...

E lutar por mim? Está fora de questão?

O orgulho alheio não deixa

Ou a chama já é ténue demais para tentar inverter a direcção final?

parar é morrer diz o povo...

eu acho que morrer é que é parar..

até lá movemo-nos como esferas que rolam ininterruptamente numa loucura desenfreada

e dançamos loucos na madrugada dos sonhos

e vivemos parvos na imensidão da acesa ignorância.

Mas se tudo isso falha

quem nos salva das esperanças desavindas?

E se eu pedisse ajuda um dia

perderia a noite em mim?

E seria possível ser salvo por um beijo?

Ou ainda melhor, ser resgatado pelo desejo..

Ao invés,

não sei que dizer ou fazer

apenas em pensamentos, grito o teu nome

apenas em murmúrios calados canto o meu querer

e nada oiço em retorno

senão o estortor do fim da linha

o pesar do pensamento..

e a linha que não pára de correr não se faz lágrima nem se faz ser

faz-se mágoa se a deixarem crescer

faz-se saudade se morrer..

faz-se fado se cantar

e nada consigo fazer para isto evitar...

Hoje sou vencedor vencido

antes comprador vendido

gasto e carcomido

hoje sou o resto da existência

sou fraco inconsistente

peço a salvação

mas não auguro nada mais no meu caminho

ocupa-me senão o peso do peito

que me prende

que me esmaga em mim

nada mais sou hoje senão eu..envolto em escuridão..

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