Porque é que não consigo deixar de sentir este peso no peito
como uma bola de ferro que me esmaga de encontro à fria realidade...
Porque é que a salvação não chega mascarada de sorriso
porque é a alegria não me inunda os poros
porque é que eu que me sinto a perder...
E lutar por mim? Está fora de questão?
O orgulho alheio não deixa
Ou a chama já é ténue demais para tentar inverter a direcção final?
parar é morrer diz o povo...
eu acho que morrer é que é parar..
até lá movemo-nos como esferas que rolam ininterruptamente numa loucura desenfreada
e dançamos loucos na madrugada dos sonhos
e vivemos parvos na imensidão da acesa ignorância.
Mas se tudo isso falha
quem nos salva das esperanças desavindas?
E se eu pedisse ajuda um dia
perderia a noite em mim?
E seria possível ser salvo por um beijo?
Ou ainda melhor, ser resgatado pelo desejo..
Ao invés,
não sei que dizer ou fazer
apenas em pensamentos, grito o teu nome
apenas em murmúrios calados canto o meu querer
e nada oiço em retorno
senão o estortor do fim da linha
o pesar do pensamento..
e a linha que não pára de correr não se faz lágrima nem se faz ser
faz-se mágoa se a deixarem crescer
faz-se saudade se morrer..
faz-se fado se cantar
e nada consigo fazer para isto evitar...
Hoje sou vencedor vencido
antes comprador vendido
gasto e carcomido
hoje sou o resto da existência
sou fraco inconsistente
peço a salvação
mas não auguro nada mais no meu caminho
ocupa-me senão o peso do peito
que me prende
que me esmaga em mim
nada mais sou hoje senão eu..envolto em escuridão..
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
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