Saí para comprar cigarros e nunca mais voltei...
No bolso levava sonhos desfeitos e esperanças renovadas,
almejando começar vida nova logo ali no bairro ao lado
saí com a alma de poeta cheia de mim e com o coração esvaziado de ti.
Saí e já não voltei aquela casa que era tua e minha
e noutras só minha e noutras até mais tua do que vazia.
Qual fósforo riscado limpei o meu sorriso triste
e avancei pela escuridão fora fazendo brilhar a minha obscura mania de ser..
Roubei um cravo numa janela alheia e ajeitei-o na lapela
afinal haverá algo mais poético do que um cravo ao peito de um vagabundo?
O botão trocista que parece calhar em farpela de defundo
brilhante e desafiante
como se dissesse este já cá fica até ao dia fatídico...
este já cá mora diz o mesmo
este já não foge...digo eu enquanto seguro no cravo desajeitamente e sigo o meu caminho.
O meu caminho?
Um caminho qualquer vá, porque hoje não faço mais escolhas.
Escolham lá por mim e ajudem-me a atravessar este mar de pedra
decidam por mim e encham-me o copo novamente,
Porque esta noite já está ganha e eu decidi que nem vou comprar cigarros.
Guardo essa desculpa para uma próxima evasão
Agora é meia noite e eu já estou cá fora...
E a noite compromete-se a ficar comigo
O acordo tá desenhado no rosto do taberneiro que desdenhosamente olha de soslaio
enquanto rabisco no meu caderno as letras tortas de canções que ninguém irá cantar..
Vou ter com o meu amigo Neptuno
pedir-lhe abrigo, ouvir os seus murmúrios e deixar o seu peito rugir em mim..
A noite avança
eu rumo em direcção ao...volto já
a transmissão interrompe-se
tenho de ir...
comprar cigarros e já volto ou não...vou ali e já venho,
sem perder mais tempo..só para me perder..
vou ali e já volto...
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
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