lentamente deslizo pela cadeira..
escorrego em direcção ao chão e rastejo para fora daqui...
ninguém me vê escapulir...
o coração aperta-se no vislumbre da luz exterior...
já consigo sentir a liberdade tocar-me no rosto
os grilhões que outrora me fixavam
estão soltos e quebradiços
finalmente me escapo...
em direcção ao meu tempo
ao comando do meu destino e da minha fortuna...
sinto a aragem fresca da rua
que me adorna os ossos com o seu fino manto..
e prossigo intrepidamente o desconhecido trilho.
Porquê?
porque ninguém quer viver para sempre quando não há liberdade
porque ninguém procura a imortalidade no frio do inverno
porque ninguém se esquece do tempo passar quando estamos presos ao chão..
Dos meus lábios faço asas e voo
dos meus olhos mares e navego
das minhas pernas catapultas que me permitem saltear novos mundos
e das minhas mãos faço chaves que me permitem abrir todas as portas..
Se tudo isto falhar prefiro ser ícaro e morrer em direcção ao sol
do que nunca ter voado
se tudo isto não resultar
posso dizer que vivi mais um pouco do que outros que sobrevivem
e senti mais liberdade do que uns ousam sonhar...
o comboio espera-me
pelas terras do fogo irei trilhar o meu caminho
A grande jornada ainda está para vir...
podia dizer até ao meu regresso
mas direi apenas
voltarei quando cair em mim.
E se não cair...
e se não falhar
por tudo isso vale a pena sonhar
por tudo o resto para a pena esperar
se assim for viverei para sempre
imortalizado nas palavras e nas recordações que deixar.
As teias da casa abandonada esperam por mim
e aconteça o que acontecer..
o espectáculo não pode parar.
Esta mensagem é dedicada a todos que não pararam de sonhar
esta mensagem é dedicada aos peter pan e aos peter punks
aos que trocam uma vaca por um pé de feijão
e um beijo por nada.
Queremos todos mais
mais sucesso
mais dinheiro
mais respeito
mais poder
e que tal menos,
menos mentiras
menos intrigas
menos enganos
e mais cantigas?
Rasguem-se os mapas
e as cartas de navegação
andarmos todos tão certos não nos trouxe nada de bom.
Vou reescrever a minha história
porque não acredito em fins determinados
nem em garantias eternas.
Não sou quem julgam nem que me tomam...
"Dou-me com toda a gente e não me dou a ninguém"
e um dia pode ser que contem a minha sina..
Como o homem que recusava deixar para trás o coração
por muito pesado que se torne
o homem que não quis deixar de sonhar
que ousou não se deixar domar
que amou a liberdade acima de todas as outras coisas
que vestiu o outono como segunda pele
e abraçou o inverno da pálida existência.
Que seja o ícaro
que seja o fiasco
que seja o diletante
que seja tudo isso
mas que seja com a mordida da aventura em mim
com o trincar do lábio dardejado
e com o arrojo e assomo de quem acabou de nascer.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
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