quarta-feira, 17 de setembro de 2008

liberdade

lentamente deslizo pela cadeira..

escorrego em direcção ao chão e rastejo para fora daqui...

ninguém me vê escapulir...

o coração aperta-se no vislumbre da luz exterior...

já consigo sentir a liberdade tocar-me no rosto

os grilhões que outrora me fixavam

estão soltos e quebradiços

finalmente me escapo...

em direcção ao meu tempo

ao comando do meu destino e da minha fortuna...

sinto a aragem fresca da rua

que me adorna os ossos com o seu fino manto..

e prossigo intrepidamente o desconhecido trilho.

Porquê?

porque ninguém quer viver para sempre quando não há liberdade

porque ninguém procura a imortalidade no frio do inverno

porque ninguém se esquece do tempo passar quando estamos presos ao chão..

Dos meus lábios faço asas e voo

dos meus olhos mares e navego

das minhas pernas catapultas que me permitem saltear novos mundos

e das minhas mãos faço chaves que me permitem abrir todas as portas..

Se tudo isto falhar prefiro ser ícaro e morrer em direcção ao sol

do que nunca ter voado

se tudo isto não resultar

posso dizer que vivi mais um pouco do que outros que sobrevivem

e senti mais liberdade do que uns ousam sonhar...

o comboio espera-me

pelas terras do fogo irei trilhar o meu caminho

A grande jornada ainda está para vir...

podia dizer até ao meu regresso

mas direi apenas

voltarei quando cair em mim.

E se não cair...

e se não falhar

por tudo isso vale a pena sonhar

por tudo o resto para a pena esperar

se assim for viverei para sempre

imortalizado nas palavras e nas recordações que deixar.

As teias da casa abandonada esperam por mim

e aconteça o que acontecer..

o espectáculo não pode parar.

Esta mensagem é dedicada a todos que não pararam de sonhar

esta mensagem é dedicada aos peter pan e aos peter punks

aos que trocam uma vaca por um pé de feijão

e um beijo por nada.

Queremos todos mais

mais sucesso

mais dinheiro

mais respeito

mais poder

e que tal menos,

menos mentiras

menos intrigas

menos enganos

e mais cantigas?

Rasguem-se os mapas

e as cartas de navegação

andarmos todos tão certos não nos trouxe nada de bom.

Vou reescrever a minha história

porque não acredito em fins determinados

nem em garantias eternas.

Não sou quem julgam nem que me tomam...

"Dou-me com toda a gente e não me dou a ninguém"

e um dia pode ser que contem a minha sina..

Como o homem que recusava deixar para trás o coração

por muito pesado que se torne

o homem que não quis deixar de sonhar

que ousou não se deixar domar

que amou a liberdade acima de todas as outras coisas

que vestiu o outono como segunda pele

e abraçou o inverno da pálida existência.

Que seja o ícaro

que seja o fiasco

que seja o diletante

que seja tudo isso

mas que seja com a mordida da aventura em mim

com o trincar do lábio dardejado

e com o arrojo e assomo de quem acabou de nascer.

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