segunda-feira, 7 de julho de 2008

diletante

Num passo gigante

num cerrar de olhos pequeno

num salto transponho uma montanha

e numa queda afundo num poço.

Incongruente como sempre...

Diletante constante.

Sorriso triste e lágrima doce

Quente como um bloco de gelo

E frio....

Frio como só eu consigo ser.

Podia ser salteador de corações

Não sou

Podia ser ladrão de maus sentimentos

não sou

Podia ser criador de sorrisos

muito menos

Podia ser esboçador de suaves esgares felizes

e também não sou.

Podia até um dia vir a ser escritor

e no entanto sou o que sou.

Nada e tudo

Mais tudo do que nada

Ou mais nada do que tudo..

Um intervalo entre ambos

a anulação perfeita do ser

em que conseguimos fazer tudo

e não somos bons em nada.

Talvez seja o fado do homem mediano

Raquítico de sentimentos

mas anafado de esperança

Pobre de espírito

mas de alma cheia.

A minha vida é um dique

enchida gota a gota por lágrimas que se recusam a cair.

Como as ideias para escrever

Como a vontade para viver

Grandes enormes geniais parindo roedores enfezados.

A montanha nem sequer perdeu tempo em licenças de maternidade

como eu há mil e um

e muitos haverá.

Palavras indistintas cheias de vinho mosto

Aquecem o coração das almas vãs que como eu

almejam sonhar.

O sonho comanda o sonho

Porque a vida essa...

há muito que se perdeu no uivo de um tumulto.

Caem cacos do céu

que se despedaçam no chão

candelabros gélidos que não calham a nenhum

e acertam em tudo.

Não encontro sentido para tudo isto

senão vivo no sufoco.

São só palavras que aqui caem

acerto em tudo

mas não calham a ninguém nem em lugar nenhum.

São só letras

e mais letras

que sentido fazem senão este o de não fazer sentido nenhum.

Exemplifique:

Quanto tempo falta para sentir o tempo voltar para trás?

Quanto falta para o tempo sentir voltar para trás o tempo?

Quando voltar para trás o tempo será que o tempo vai sentir?

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