sexta-feira, 27 de junho de 2008

Tigre de papel

Sou um tigre de papel

Com mãos de vidro e olhos de pedra...

Despedaçado e amarfanhado

um joguete do tempo passageiro.

É na maré de sequidão diária que me passeio nas ruas desta cidade.

Sou um tigre de papel

Com um sopro apenas desapareço na aragem de encontro às folhagens secas e enrugadas como a pele do velho louco sentado num banco de jardim..

Sou ínfimo e redutível a pó e cinza num riscar de um fósforo...

mas sou um tigre...magnífico, imponente e indomável.

Sou um tigre de papel que desempenha o papel de um tigre de verdade mas faltam-me as linhas e deixas da peça para continuar..

Sendo eu de papel que destino sobra senão esvoaçar esmagado ao sabor do vento...

Sou um tigre de papel...não sou um pássaro, se o fosse não seria objecto de caçadas...

Se o fosse, seria um pássaro de verdade, verdadeiro como as mentiras que sentimos ou seria folha branca de papel...

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